segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Por que é importante conhecer a HISTÓRIA?

por Gèrson Fachiano


       Você certamente já leu ou tem alguma noção de História, afinal, quem passou pelos bancos escolares sempre teve contato direto com essa disciplina. A diferença que quando estávamos lá sentados e o professor fazia o papel dele de transmitir o mínimo de conhecimento possível, nós não fazíamos a distinção do porquê daquilo tudo e muito menos questionávamos o seguinte: Estudar História para que mesmo?


        Confesso que até ontem eu não creditava ao meu consciente a real importância dessa disciplina e o que ela afetaria principalmente em meu trabalho como cartomante. Até porque conhecer de onde e como surgiu o baralho que tenho nas mãos e que lanço para ver a sorte das pessoas numa mesa não faria a menor diferença para o meu consulente. Certo?

       ERRADO! Posso te garantir que pode sim fazer a diferença e você deve estar se perguntando: Como isso é possível?

      Caro leitor, vamos partir de um questionamento base: POR QUE ESTUDAR HISTÓRIA É IMPORTANTE? E talvez a resposta seja óbvia para você, porém, para mim custou-me estar clara ao meu idealismo. Sem mais delongas... A História é importante pelo simples fato de nos possibilitar o conhecimento do passado dos diferentes grupos sociais, e aqui é que vem a mágica, pois como todos já sabemos o baralho em si não foi criado no século XXI, ou seja, nos nossos dias atuais. Até aqui tudo bem. A partir do momento em que eu entender a época ou o período que o mesmo fora criado, certamente iremos perceber o porquê da corte presente nas lâminas, o porquê que o Cavaleiro significa mensagens sendo entregues principalmente em mãos ou até mesmo o porquê que o Navio significa comércio.

       Você já parou para pensar nisso? A sua maior fonte de estudos e os porquês de cada significado dado hoje em dia para uma carta sendo ela emblemática tem fundamento para com o período em que esse deck fora construído. É buscar na história antiga e no período em que temos como princípio o seu nascimento que vamos entender o uso dos emblemas, dos naipes e dos seus significados.

        Após você ter isso em mente, você certamente ficará fascinado pela História assim como estou tendo por este momento a ponto de escrever aqui. Para trazer à luz da sua consciência ou até mesmo tentar este feito para quando ouvir que a Cruz significa Vitória ou os Ratos significando produtividade você fazer um paralelo direto com a época e perceber que Ratos e Cruz teriam uma conotação diferente empregada naquele tempo (em  que foram criadas as cartas).

       E com isso tem-se claramente o tradicionalismo da cartomancia. Ficará claro em sua mente o que é tradicional e o que não é. Simples e útil assim! Mas perceba que houve uma transfiguração tanto dos emblemas quanto dos seus significados primitivos. Essa transmutação dos emblemas estaria mais para a estilização artística e do pluralismo de tipos diferentes de baralhos que encontramos no mercado hoje em dia. Uma Foice é uma Foice, todavia, encontramos baralhos em que esta Foice está sendo representada por um outro objeto de corte como por exemplo a Tesoura, e com isso outros significados dados por cabeças (não) pensantes poderão surgir para este emblema.

       É a partir disso que a linha fica cada vez mais tênue e o risco de querer reinventar a roda pode sair pela culatra.

       A competitividade do ser humano em querer sair na frente ou até mesmo de criar algo ‘diferente’ (e cabe a ideia de reinventar a roda mais uma vez) dos padrões sempre existiu e sempre existirá. IN-FE-LIZ-MEN-TE!


       O meu recado é para aqueles que assim como eu tendem a preservar o tradicional, a raiz de uma corrente que nasceu em outrora e que deveria ser valorizada e até mesmo destacada das demais. O pluralismo de conceitos e ideais vem numa forte tendência conturbativa para ofuscar a base e o princípio dos seus porquês. Por exemplo: Se a carta da Cruz obtém o significado de triunfo busque em seus registros mentais quando você viu alguém levantando uma cruz para representar a sua glória por ter ganhado um campeonato, por ter ganho na loteria ou até mesmo por ter conquistado a sua viagem dos sonhos? Nós vemos mais a Cruz representando as dores do que o triunfo de quando alguém ganha uma corrida, não é mesmo?

(Xilogravura popular nordestina - O Pagador de Promessas)


       É disso que estou falando e querendo fazer entender e de não (re)criar polêmica. A História vai te levar para um idealismo contundente e vai fazer-se enxergar o que é possível e o que não é possível para o campo semântico dado ao emblema ali estar em sua mesa de jogo no ato de sua leitura. A dica é você buscar por si mesmo as fontes. Busque os livros de emblemas, busque entender como aquele povo vivia na época, quais eram os seus costumes qual era o momento vivido pela época: a sua arte, a sua fonte de sobrevivência etc.

       Lembre-se: aprender uma língua é também aprender a sua cultura. Fale Lenormandês e viva o melhor da cartomancia tradicional!



segunda-feira, 21 de março de 2016

Entrevista - Cart. Gerson H. Fachiano - Formulando perguntas



Em uma entrevista imperdível, com conteúdo impecável o Gerson H. Fachiano 
passa dicas que todo cartomante (ou aspirante a) deve conhecer.

O Gerson é um profissional que mostra a que veio, responsável, com um 
trabalho fundamentado no propósito de exercer o ofício com amor,
profundidade, respeito ao consulente e ao cenário cartomântico, a partir
da sua grande dedicação aos estudos 
de todos os temas que dizem respeito a este universo! 

Orgulho define!






segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Cartomancia é "dom"

                    Embora eu acredite que exista um "dom" para cartomancia - exatamente como um "dom" para o desenho, um "dom" para a costura ou para a medicina... Nem tudo é "dom". Especificamente na cartomancia as pessoas esperam algo meio "mágico" das cartas, como se elas, as cartas, tivessem algum poder, como se fossem "seres" e não "coisas". 
                    
                    As cartas são uma ferramenta. Uma ferramenta como o bisturi do cirurgião ou a máquina de costura da costureira, ou melhor ainda, como o lápis do desenhista. O lápis não é mágico - não existe isso de você ir a uma loja, comprar um lápis, chegar em casa, olhar pra ele, ele olhar pra você e você simplesmente começar a desenhar magnificamente. Sim, eu sei que existem desenhistas que nunca fizeram sequer uma aula, assim como musicistas que jamais olharam para uma partitura e são grandes artistas - mas esta não é a regra: é a EXCEÇÃO. A regra é que mesmo o sujeito que tem uma tremenda voz, vai fazer aula de canto pra se aprimorar e desenvolver habilidades, o cara que sempre desenhou bem, se quiser viver de ilustração / pintura / design e afins, vai fazer cursos, faculdade, estágios e mais estágios, horas e mais horas e mais horas de muito treino... 
                   O Neymar tem um "dom" para o futebol, verdade... Mas olha lá, com que idade ele começou? Quantas horas por dia de treino? Ele pode simplesmente não ir treinar? Não, não pode. Se você visitar o atelier de algum grande artista, chances são de você encontrá-lo pintando e não assistindo a novela... E se o cara for um musicista e você passar uma semana com ele vai perceber que ele amanhece cantarolando alguma melodia, e que o ouvido está sempre MUITO atento, chega a ser uma coisa meio chata - duas notas e ele sabe qual é a música. Isso pode até ser dom, e de repente ele pode até achar que teve uma "intuição" - eu ainda acho que é a prática. 
                   Anos e anos trabalhando com design para publicidade e ao montar a identidade visual de uma campanha você escolhe uma paleta de cores... sabe, escolhe "intuitivamente" - e aí vem o diretor de criação e comenta com o atendimento: essas duas cores de fundo provocam fome e as cores da paleta central deixam a pessoa ansiosa - a fonte que ela usou tem traços fluídos e um movimento que provocam uma tomada rápida de atitude... Vai bombar! O cliente vai vender muito sanduíche. Foi mesmo intuição, ou isso tem a ver com as horas e horas e horas que você passou estudando semiótica, teoria das cores, psicologia da comunicação, e até cromoterapia, neuropsicologia e sabe-se lá mais o que... 
                  Quando alguém dirige um carro há algum tempo, não pensa a cada vez que vai trocar de marcha sobre a rotação do motor, e sobre pisar a embreagem, levar o câmbio acima e à direita, tirar o pé da embreagem enquanto acelera, baixar a mão sobre o comando da seta, girar o volante à direita... São movimentos "intuitivos": é quase como se o carro fosse uma extensão sua... 

                   Ler as cartas é bem assim. Depois de um tempo você vai precisar pensar um pouco se tiver que responder porque disse que há alguém colaborando com o projeto do consulente... E não vai lembrar que foi aquele vídeo em que aprendeu que a criança perto é igual à receber ajuda, e que a carta influenciada pelo chicote e descrita pela Lua, descrevendo as estrelas é um novo projeto... Simplesmente vai entender aquilo. 

                   Por outro lado, cada vez mais tenho certeza de que para ser um bom cartomante, o sujeito não precisa apenas de formação em cartomancia (leia-se fazer um bom curso [leia-se pelo menos umas 200 horas de estudo ou cerca de três anos de prática], praticar muito, ler muito, praticar mais e mais ainda). É preciso muito mais. um bom cartomante precisa estar atento ao mundo ao seu redor, estudar história, filosofia, psicologia (o basiquinho pelo menos), conhecer terapias holísticas - no mínimo o suficiente para encaminhar alguns casos, e aí também me faz lembrar que algumas vezes precisamos encaminhar também ao psicólogo ou psiquiatra...  E isso é o mínimo. 

                    Então... Bola pra frente: estudar, estudar, estudar, praticar, praticar, praticar, repetir e repetir. Nós, cartomantes, somos um pessoal que, quando bem orientados, sabemos que o destino não está escrito em lugar algum além do livro que guardamos junto com nossas canetas - somos nós mesmos que escrevemos nossa história... Algumas vezes, quem sabe... A gente escreveu faz um tempinho que devia escolher esse ou aquele caminho... Como uma nota mental... Mas a gente só escolhe os caminhos pelos quais sabe que pode passar, então... 99% transpiração, 1% inspiração, como é de praxe!



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