quinta-feira, 1 de junho de 2017
Cartomante profissional
Falar de Cartomancia "profissional" nem sempre é fácil, exatamente por ser uma atividade coberta de paradigmas e mistificação, e tantas vezes mal compreendida. Vamos deixar de lado aqui a Cartomancia praticada nos templos e ambientes religiosos, de cunho pessoal e baseada em caridade, valiosa e linda, com toda a certeza, e focar na Cartomancia como atividade remunerada, fruto de formação qualificada e tão digna como qualquer outra atividade. Nem toda Cartomancia é baseada em predições de futuro, ou conectada a princípios religiosos - o espaço para a religião dentro dela é o mesmo espaço para a religião dentro de qualquer outra profissão. Pessoalmente nem acredito que lemos ou prevemos o futuro, propriamente dito - acredito que lemos o campo energético do consulente, projetado nas cartas, e que este aponta tendências futuras: se elas se manifestarão ou não, depende integralmente do consultante, é sempre dele a decisão, o poder de escolha, e eu apenas traduzo em palavras o que muitas vezes não é percebido de forma muito clara por ele. E aprender a fazer essa "tradução" não é bem uma tarefa fácil. Aliás, de fácil, não tem nada. Não se trata só de estudar as cartas - e sim, há muito o que estudar sobre as cartas - mas de estudar a comunicação, já que ser Cartomante é ser um tradutor e isso quer dizer que é ser também um comunicador, e interligar saberes de todo tipo, pois uma vez que a Cartomancia traduz momentos de vidas, todo saber auxilia e melhora a atividade.
Independente do tipo de Cartomancia que você pratica, focada ou não em "previsões", baseada ou não em um destino estático e escrito, associada ou não a outras práticas oraculares ou terapêuticas, atuar profissionalmente exige muito mais do que simplesmente saber interagir com as cartas e os consulentes. Atuar profissionalmente exige um certo empreendedorismo, um pouco (ou bastante!) de habilidade administrativa e financeira, e claro, algum conhecimento de marketing e vendas, pois atuar profissionalmente nada mais é do que vender seu trabalho: aquilo para o que você se preparou tanto, e continuará se preparando ao longo de sua carreira.
#Cartomancia profissional é coisa séria
Escolher essa atividade, nos dias de hoje, exige sim toda essa preparação, o que, para muitos, ainda é novidade. Gerenciamento de imagem, técnicas de prospecção e vendas, público alvo, cliente ideal, feedback... Todos esses termos fazem parte da carreira de um Cartomante, sim. Claro que não é em um artigo que vamos abordar tudo isso, e nem mesmo um leve esboço da profissão. "Ganhar dinheiro lendo cartas", além de exigir uma boa formação na leitura de cartas em si, exige preparo que você não vai aprender em blogs ou textos soltos aqui e ali (e acho que você já sabe disso). O que pretendo nessas poucas linhas é deixar algumas dicas bem básicas pra quem já se qualificou ou está se qualificando em leitura de cartas, e pretende atuar no mercado da Cartomancia como carreira, desejando ter os resultados que se espera de qualquer profissão. Vamos continuar falando disso, claro, mas hoje em especial vamos falar desses conceitos bem básicos que, uma vez definidos por você, facilitarão todo o caminho que vem adiante.
#Propósito
Saiba porquê você é um Cartomante. Como assim? Todo mundo precisa saber porquê levantar da cama logo cedo, num dia frio de inverno e encarar o dia de trabalho que vem pela frente. Algo precisa fazer com que você realmente levante da cama, pois certamente ficar embaixo do edredom seria mais confortável! Da mesma forma, para "sair debaixo do edredom" e evoluir em qualquer profissão, você precisa saber o que lhe motiva, qual o seu propósito naquela profissão. "Preciso me sustentar (ou aos filhos, etc)" não é a resposta. Ganhar o seu sustento poderia ser até mais fácil, em um primeiro momento, em outra área.
O quê fez com você escolhesse a Cartomancia? E por quê, entre tantas pessoas que a têm por hobby, você decidiu se profissionalizar? Você quer ajudar pessoas a se conhecerem melhor? Quer ajudá-las a encontrar orientação? Gostaria de ser reconhecido(a) como alguém que faz a diferença? É um bom comunicador, ou um buscador que adora ler? Você gosta muito de pessoas, da natureza humana? Quem sabe foi porque seus amigos disseram que este é o seu "dom"? Procure a sua resposta: a sua "razão" para trabalhar diz muito sobre suas chances de sucesso. Reflita sobre isso. Sua proposta/missão de trabalho deve estar bem alinhada com o seu propósito de trabalho.
#Valores
Compreenda seus valores e como eles direcionam seu trabalho. Pode até parecer que compreendendo melhor qual o seu propósito profissional você já tenha tomado consciência dos seus valores. Mas nem sempre isso acontece. Procure refletir e observar a si mesmo e então liste seus principais valores em ordem de importância, em relação à sua atividade profissional. Responsabilidade, reconhecimento, integridade, compromisso com a verdade, melhoria/evolução contínua, estabilidade financeira, ousadia, abundância, afeição, confiança, dignidade, agilidade, fé, empatia, paz, segurança, poder, prazer, fama, caridade... Entre tantos outros valores que você pode
encontrar, o que é importante para você e em que escala? Compreendendo quais são os valores que o motivam, certamente será mais fácil definir seu propósito, conforme vimos no parágrafo anterior, e a sua missão, como veremos a seguir.
#Missão
A sua missão (ou proposta), em termos profissionais, é o que você deseja entregar para o mundo. Baseado nos seus valores e no seu propósito pessoal, você define o que o seu trabalho faz pelo mundo. Como Cartomante, talvez você deseje ajudar a transformar o seu mundo entregando orientação e motivação aos seus consulentes. Talvez você
deseje entregar a eles autoconhecimento e segurança, e talvez ainda você deseje entregar-lhes simplesmente informações sobre o que há de vir, pra que eles tomem melhores decisões. Talvez você queira entregar ao seus consulentes um mergulho maior em suas próprias realidades, olhando para a história pessoal de cada um com profundidade de passado, ressignificando situações, compreendendo melhor o presente e a partir daí planejando um futuro mais bonito. Talvez você queira fazer leituras sobre relacionamentos, ou vida profissional, ou mesmo sobre saúde ou espiritualidade e, a partir delas, tornar seu mundo melhor.
Entender como você conduzirá seus
valores e propósitos em uma missão de entrega ao mundo a que pertence pode facilitar imensamente seu trabalho.
#Público Alvo
Defina um "público alvo": ou seja, que tipo de clientes você quer atrair? Esse é um ponto tão importante que certamente mereceria um artigo inteirinho (ou muito mais!). Com base nos seus valores, propósito e missão profissional, você, a esta altura, já tem uma ideia clara do tipo de cliente de deseja. Ou talvez esteja dizendo agora algo como... "Cliente é cliente", uai! Nããããooooo! Atrair o tipo certo de clientes significa lidar com pessoas que entenderão a sua "língua", com quem você vai se comunicar facilmente. Se por exemplo você definiu como propósito utilizar um dom particular de comunicar-se bem com as pessoas e a partir dele profissionalizar-se como Cartomante, baseado em valores como ética, melhoria contínua, integridade e delicadeza, por exemplo, e gostaria de entregar ao mundo leituras que se baseiam em responsabilidade pessoal, motivação e auto desenvolvimento, uma consulente que deseja APENAS descobrir se Joãozinho quer dormir com ela no fim de semana ou se Pedrinho a está traindo (e se estiver ela vai se vingar na mesma moeda, com o Joãozinho), não é bem uma cliente que você gostaria de atrair. E talvez você conheça um outro Cartomante que tem talento especial para lidar com esse tipo de leitura, para quem certamente vale a pena encaminhar essa consulente. Sim, definir público alvo lhe garante a liberdade de "trocar figurinhas" com muitos outros profissionais sem nenhum receio de "concorrer" com eles - ou perder clientes para eles!
Falar em "público alvo" e "cliente ideal" em Cartomancia, em um primeiro momento pode soar até meio estranho. Deixa de ser estranho se você refletir a respeito. Cada um de nós traz na bagagem temas de estudo, linguagens, histórias, conhecimento acadêmico ou empírico sobre determinas áreas, interesses e muito mais que nos definem também como Cartomantes. Sempre digo que um Cartomante que adora ponto cruz vai se comunicar muito melhor com um consulente que também adora ponto cruz - por várias razões diferentes. Um Cartomante que trabalhou alguns anos em uma grande empresa, atendendo clientes corporativos de porte, lidando com executivos por exemplo, vai se comunicar muito bem com consulentes com aquele mesmo perfil: ele conhece aquele universo, a linguagem, o mundo do consulente. Isso não quer dizer que este mesmo Cartomante não seja o anterior, que adora ponto cruz! Falar com quem entende o que a gente quer dizer é certamente importante, não é? Talvez você me diga que trabalha em um site e não há como filtrar o "seu" público alvo - e eu digo que HÁ. Isso é conversa longa, claro, mas comece a observar, ok? E uma maneira de você entender cada vez melhor qual o seu público alvo é observar com atenção suas consultas, os consulentes que tem atraído, e especialmente, pedir feedback.
#Feedback é essencial
E é sempre essencial, não só no início. Sempre que possível peça aos seus consulentes que voltem pra contar o que perceberam em suas vidas em relação à sua consulta. É bastante comum que no momento em que a consulta acaba a pessoa esteja empolgada, com aquela sensação de alívio, ou se sentindo motivada, enfim, se sentindo bem. Com o passar dos dias as coisas vão acontecendo e, pedir a ela que lhe traga algum retorno, ou seja, que lhe conte suas percepções além de ajudar com que você defina melhor os três itens anteriores deste artigo (propósito, valores e missão), ainda vão ajudar você de outra forma: sempre que você pede que o cliente volte pra contar suas observações, você o força a reconhecer os resultados do seu trabalho!
Sempre que possível, manter algum contato com o consultante após a consulta é bacana. Não estou dizendo que você deve se tornar o(a) amigo(a) inseparável dele! Anote seu aniversário e envie uma mensagem de felicitações, lembre de enviar feliz páscoa, feliz natal, feliz samhain ou feliz dia da árvore... Lembre-se do seu consultante. E para isso há uma regra bem simples: lembre-se que é uma pessoa. E goste de pessoas. Se você não gosta de pessoas... Pare agora de ler isto e vá procurar outra profissão!
#A Jornada é longa (e linda!)
É claro que temos muitooo o que falar quando pensamos nessa atividade como profissão: além de simplesmente melhorar a nossa relação com o mundo e claro, melhorar muito o cenário profissional de maneira geral, entender que é uma atividade profissional também gera a responsabilidade de atuar "profissionalmente". Sem mistificações, sem "enganação" e principalmente, sem "achismos".
Temos certamente muito o que conversar, especialmente se você é um autônomo, como eu, e quer viver bem, sabendo que entregou o seu melhor, e recebendo todos os melhores resultados desta entrega. Aprendendo com cada passo e com cada consulente. A Cartomancia antes de ser um ofício é uma dádiva... Através dela recebemos a Graça de sermos espectadores de tantas vidas que nos ensinam de todas as formas.
Eu gosto muito de parafrasear uma citação bíblica fazendo um trocadilho que cai muito bem quando passamos a olhar a Cartomancia como profissão: "Dai NA Graça, o que recebeu NA Graça". Estude e desenvolva-se com alegria e gratidão, conectado com o melhor que você pode ser, e, assim, atraindo para si o melhor que pode atrair. Trabalhe com amor. Trate cada um dos seus consulentes com carinho e gratidão por ser mensageiro de suas histórias de vida. Mantenha-se na graça e na gratidão ao trabalhar, entregando sempre o seu melhor: antes da consulta (estudando, se qualificando, pesquisando e praticando); durante a consulta: lembrando-se de que é uma pessoa que está diante de você; e depois da consulta, agindo com respeito e consideração, e vibrando a gratidão de fazer parte de mais uma história.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Cartomancia é "dom"
Embora eu acredite que exista um "dom" para cartomancia - exatamente como um "dom" para o desenho, um "dom" para a costura ou para a medicina... Nem tudo é "dom". Especificamente na cartomancia as pessoas esperam algo meio "mágico" das cartas, como se elas, as cartas, tivessem algum poder, como se fossem "seres" e não "coisas".
As cartas são uma ferramenta. Uma ferramenta como o bisturi do cirurgião ou a máquina de costura da costureira, ou melhor ainda, como o lápis do desenhista. O lápis não é mágico - não existe isso de você ir a uma loja, comprar um lápis, chegar em casa, olhar pra ele, ele olhar pra você e você simplesmente começar a desenhar magnificamente. Sim, eu sei que existem desenhistas que nunca fizeram sequer uma aula, assim como musicistas que jamais olharam para uma partitura e são grandes artistas - mas esta não é a regra: é a EXCEÇÃO. A regra é que mesmo o sujeito que tem uma tremenda voz, vai fazer aula de canto pra se aprimorar e desenvolver habilidades, o cara que sempre desenhou bem, se quiser viver de ilustração / pintura / design e afins, vai fazer cursos, faculdade, estágios e mais estágios, horas e mais horas e mais horas de muito treino...
O Neymar tem um "dom" para o futebol, verdade... Mas olha lá, com que idade ele começou? Quantas horas por dia de treino? Ele pode simplesmente não ir treinar? Não, não pode. Se você visitar o atelier de algum grande artista, chances são de você encontrá-lo pintando e não assistindo a novela... E se o cara for um musicista e você passar uma semana com ele vai perceber que ele amanhece cantarolando alguma melodia, e que o ouvido está sempre MUITO atento, chega a ser uma coisa meio chata - duas notas e ele sabe qual é a música. Isso pode até ser dom, e de repente ele pode até achar que teve uma "intuição" - eu ainda acho que é a prática.
Anos e anos trabalhando com design para publicidade e ao montar a identidade visual de uma campanha você escolhe uma paleta de cores... sabe, escolhe "intuitivamente" - e aí vem o diretor de criação e comenta com o atendimento: essas duas cores de fundo provocam fome e as cores da paleta central deixam a pessoa ansiosa - a fonte que ela usou tem traços fluídos e um movimento que provocam uma tomada rápida de atitude... Vai bombar! O cliente vai vender muito sanduíche. Foi mesmo intuição, ou isso tem a ver com as horas e horas e horas que você passou estudando semiótica, teoria das cores, psicologia da comunicação, e até cromoterapia, neuropsicologia e sabe-se lá mais o que...
Quando alguém dirige um carro há algum tempo, não pensa a cada vez que vai trocar de marcha sobre a rotação do motor, e sobre pisar a embreagem, levar o câmbio acima e à direita, tirar o pé da embreagem enquanto acelera, baixar a mão sobre o comando da seta, girar o volante à direita... São movimentos "intuitivos": é quase como se o carro fosse uma extensão sua...
Ler as cartas é bem assim. Depois de um tempo você vai precisar pensar um pouco se tiver que responder porque disse que há alguém colaborando com o projeto do consulente... E não vai lembrar que foi aquele vídeo em que aprendeu que a criança perto é igual à receber ajuda, e que a carta influenciada pelo chicote e descrita pela Lua, descrevendo as estrelas é um novo projeto... Simplesmente vai entender aquilo.
Por outro lado, cada vez mais tenho certeza de que para ser um bom cartomante, o sujeito não precisa apenas de formação em cartomancia (leia-se fazer um bom curso [leia-se pelo menos umas 200 horas de estudo ou cerca de três anos de prática], praticar muito, ler muito, praticar mais e mais ainda). É preciso muito mais. um bom cartomante precisa estar atento ao mundo ao seu redor, estudar história, filosofia, psicologia (o basiquinho pelo menos), conhecer terapias holísticas - no mínimo o suficiente para encaminhar alguns casos, e aí também me faz lembrar que algumas vezes precisamos encaminhar também ao psicólogo ou psiquiatra... E isso é o mínimo.
Então... Bola pra frente: estudar, estudar, estudar, praticar, praticar, praticar, repetir e repetir. Nós, cartomantes, somos um pessoal que, quando bem orientados, sabemos que o destino não está escrito em lugar algum além do livro que guardamos junto com nossas canetas - somos nós mesmos que escrevemos nossa história... Algumas vezes, quem sabe... A gente escreveu faz um tempinho que devia escolher esse ou aquele caminho... Como uma nota mental... Mas a gente só escolhe os caminhos pelos quais sabe que pode passar, então... 99% transpiração, 1% inspiração, como é de praxe!
Emoticon smile
As cartas são uma ferramenta. Uma ferramenta como o bisturi do cirurgião ou a máquina de costura da costureira, ou melhor ainda, como o lápis do desenhista. O lápis não é mágico - não existe isso de você ir a uma loja, comprar um lápis, chegar em casa, olhar pra ele, ele olhar pra você e você simplesmente começar a desenhar magnificamente. Sim, eu sei que existem desenhistas que nunca fizeram sequer uma aula, assim como musicistas que jamais olharam para uma partitura e são grandes artistas - mas esta não é a regra: é a EXCEÇÃO. A regra é que mesmo o sujeito que tem uma tremenda voz, vai fazer aula de canto pra se aprimorar e desenvolver habilidades, o cara que sempre desenhou bem, se quiser viver de ilustração / pintura / design e afins, vai fazer cursos, faculdade, estágios e mais estágios, horas e mais horas e mais horas de muito treino...
O Neymar tem um "dom" para o futebol, verdade... Mas olha lá, com que idade ele começou? Quantas horas por dia de treino? Ele pode simplesmente não ir treinar? Não, não pode. Se você visitar o atelier de algum grande artista, chances são de você encontrá-lo pintando e não assistindo a novela... E se o cara for um musicista e você passar uma semana com ele vai perceber que ele amanhece cantarolando alguma melodia, e que o ouvido está sempre MUITO atento, chega a ser uma coisa meio chata - duas notas e ele sabe qual é a música. Isso pode até ser dom, e de repente ele pode até achar que teve uma "intuição" - eu ainda acho que é a prática.
Anos e anos trabalhando com design para publicidade e ao montar a identidade visual de uma campanha você escolhe uma paleta de cores... sabe, escolhe "intuitivamente" - e aí vem o diretor de criação e comenta com o atendimento: essas duas cores de fundo provocam fome e as cores da paleta central deixam a pessoa ansiosa - a fonte que ela usou tem traços fluídos e um movimento que provocam uma tomada rápida de atitude... Vai bombar! O cliente vai vender muito sanduíche. Foi mesmo intuição, ou isso tem a ver com as horas e horas e horas que você passou estudando semiótica, teoria das cores, psicologia da comunicação, e até cromoterapia, neuropsicologia e sabe-se lá mais o que...
Quando alguém dirige um carro há algum tempo, não pensa a cada vez que vai trocar de marcha sobre a rotação do motor, e sobre pisar a embreagem, levar o câmbio acima e à direita, tirar o pé da embreagem enquanto acelera, baixar a mão sobre o comando da seta, girar o volante à direita... São movimentos "intuitivos": é quase como se o carro fosse uma extensão sua...
Ler as cartas é bem assim. Depois de um tempo você vai precisar pensar um pouco se tiver que responder porque disse que há alguém colaborando com o projeto do consulente... E não vai lembrar que foi aquele vídeo em que aprendeu que a criança perto é igual à receber ajuda, e que a carta influenciada pelo chicote e descrita pela Lua, descrevendo as estrelas é um novo projeto... Simplesmente vai entender aquilo.
Por outro lado, cada vez mais tenho certeza de que para ser um bom cartomante, o sujeito não precisa apenas de formação em cartomancia (leia-se fazer um bom curso [leia-se pelo menos umas 200 horas de estudo ou cerca de três anos de prática], praticar muito, ler muito, praticar mais e mais ainda). É preciso muito mais. um bom cartomante precisa estar atento ao mundo ao seu redor, estudar história, filosofia, psicologia (o basiquinho pelo menos), conhecer terapias holísticas - no mínimo o suficiente para encaminhar alguns casos, e aí também me faz lembrar que algumas vezes precisamos encaminhar também ao psicólogo ou psiquiatra... E isso é o mínimo.
Então... Bola pra frente: estudar, estudar, estudar, praticar, praticar, praticar, repetir e repetir. Nós, cartomantes, somos um pessoal que, quando bem orientados, sabemos que o destino não está escrito em lugar algum além do livro que guardamos junto com nossas canetas - somos nós mesmos que escrevemos nossa história... Algumas vezes, quem sabe... A gente escreveu faz um tempinho que devia escolher esse ou aquele caminho... Como uma nota mental... Mas a gente só escolhe os caminhos pelos quais sabe que pode passar, então... 99% transpiração, 1% inspiração, como é de praxe!
Emoticon smile
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
sábado, 1 de agosto de 2015
A Lua...
A Carta da Lua, nosso 8 de copas, costumava estar relacionada aos méritos e honrarias de uma pessoa - e se voltarmos algumas décadas ou um século ou dois, vamos perceber que no período em que essas cartas se popularizaram, as pessoas se ocupavam de forma diferente do que fazemos hoje. Você tinha status e era considerado honrado pelo que fazia, e muitas vezes acumular funções era um mérito que podia lhe colocar em evidência. Uma pessoa contratada para dar aulas de ciências, aritmética e gramatica para uma adolescente, poderia também ser a responsável por ajudar a encontrar um marido pra ela, e ainda acumular funções de interprete, tradutor, e ser a parteira da cidade. E isso era visto como honra e mérito, muitas vezes colocando aquela pessoa em uma posição social de respeito e glória.
E era assim que viam, também, o sucesso de alguém. E isso é completamente diferente da busca por ganhos financeiros e estabilidade que temos hoje, na maioria das vezes, como norte na hora de decidir uma carreira para seguir, e de o quê a maioria de nós entende quando dizemos que alguém é uma pessoa de "sucesso".
A carta A Lua, quando está bem perto de uma pessoa, reflete nela seu brilho, conferindo-lhe honras e méritos no seu dia a dia - e é assim que as cartas a consideram bem sucedido no seu dia a dia. É por aí que encontramos a associação entre a carta a Lua e o seu emprego, ou o seu trabalho de todo dia. As tarefas rotineiras que lhe conferem honra e dignidade, nas leituras curtas, serão representadas por A Lua.
Portanto o seu emprego - aquela tarefa rotineira a partir da qual você obtém renda para pagar suas contas, vestir-se e a seus filhos, e manter-se no "sistema", ou seja, ser uma pessoa "honrada", virá nas leituras maiores (Mesa Real) como A Luz. Seja que para associar este emprego comum ao conceito de abundância ou prosperidade financeira, ou ainda comércio, empreendedorismo, formação e ascensão profissional, precisaremos de outras cartas formando uma constelação com a Lua.
O Andy Boroveshengra, um cartomante inglês que tem escrito em um estilo bem acadêmico sobre o Lenormand nos últimos anos, e muito vem contribuindo em pesquisa e informação com o universo Petit Lenormand Tradicional, nos diz que ainda que A Lua traga significados muito diferentes pra quem costuma usar o Tarô, ela se assemelha em signifição à astrologia tradicional: honestidade, trabalho, respeito e etc.
Algo interessante sobre a lua é que ela, ao estar próxima do consulente e descrever uma pessoa, pode estar se referindo a alguém que será para o consulente uma inspiração, referência ou mesmo um "mind master": como vem sendo tão comum buscarmos alguém que nos ajude a trilhar o caminho do sucesso.
Ainda que A Lua, por si, nao trate do empreendedorismo e do sucesso financeiro de alguém, é a carta que nos inspira a trabalhar todos os dias.
Até aqui já sabemos que a lua reflete seu brilho sobre o consulente quando está próxima dele, o que você poderia entender como a lua cheia. E quanto mais escura ela fica, ou seja, quanto mais distante do consulente está, menor seu brilho, e menor sua atuação feliz na vida desse consulente.

A Lua - não é de hoje - inspira a poesia e os poetas, e, portanto, as emoções mais profundas de alguém. Por isso vem, no Lenormand - herança dos livros de emblemas renascentistas - tratar da psique, das emoções mais profundas (naturalmente enraizadas em pensamentos) e também em toda inspiração que alguém pode ter. Perto do consulente ela traz à tona tudo que há de melhor, e longe dele a Lua tira-lhe o ânimo e pode deixar-lhe tão ensimesmado a ponto de que perca completamente o ânimo e brilho. Se, neste caso, também o sol e as estrelas estiverem longe do consulente, observe a possibilidade de lidar com grandes dramas e emoções muito profundas (e possivelmente ocultas daqueles com quem convive).
A inspiração da Lua também a associa com a criatividade: aquela mesma que você precisa ter para lidar com os pequenos desafios do seu dia a dia, quando um cabide se transforma em móbile pra alegrar aquele sobrinho, ou você faz do rolo de fita adesiva um porta incenso!
Algumas combinações podem ser especialmente úteis (claro, bem contextualizadas):
As Fases da Lua (Lua + Árvore ou Lua + Anel):
Lua minguante: Lua + Ratos
Lua nova = Lua + Raposa
Lua crescente = Lua + Criança
Lua cheia = Lua + Urso ou Lua + Montanha
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Um bom curso de cartomancia
Iniciei meus estudos de cartomancia há 27 anos, quando ainda era uma menininha de 13 anos. De lá pra cá, a vida me trouxe todo tipo de lição - inclusive aquela que considerei a mais complexa de todas, em relação a esta atividade: assumir a cartomancia como meu ofício principal, como a fonte de sustento da minha família, e deixar pra trás anos e anos de uma outra profissão, que também era um caso de amor! (é, sou movida a amor!).
Enfrentar todos os obstáculos gerados por minhas próprias crenças limitantes e meu próprio preconceito em relação a atividade, e atender ao chamado, não foi fácil. Decidir viver a "Karla Cartomante" 7 dias por semana, todas as semanas de todos os meses, e fazer do ofício minha nova e bem sucedida carreira, foi, sim, um desafio. A paixão se sobrepôs e eu me considero muito bem sucedida, sim. Capaz de olhar nos olhos das amigas executivas, de igual para igual, e compreender que minha atividade é tão honrosa quanto a delas.
O passo seguinte, diante das experiências que tive, foi começar uma trajetória em que compartilho os conhecimentos que obtive nesta jornada. Ainda que não fosse, até o ano de 2011, uma cartomante "full time", havia uma periodicidade de atendimentos, e sim, gradativamente, durante os últimos 24 anos, o ofício se desenvolveu, inclusive de forma remunerada - ainda que como atividade paralela. E foi essa experiência, aliada a todos os livros, entrevistas, consultas, conversas e trocas, que serviu de base para, durante dois anos, trabalhar no desenvolvimento de um conteúdo básico - o qual,nos últimos 21 meses, venho compartilhando com alunos presenciais e remotos.
Durante este período, percebi nova motivação, ainda mais profunda que qualquer das emoções que eu nutri em relação à cartomancia.Venho trabalhando há algum tempo motivada pela ideia, principalmente, de valorizar o ofício da cartomancia, valorizar aqueles que, de forma digna e honesta, exercem o ofício com honra e fazem deste sua fonte de renda.
Por outro lado, vejo, de forma cada vez mais frequente, oportunistas visivelmente desprovidos de qualquer senso de integridade anunciando "cursos", "workshops" e outros trabalhos envolvendo o ofício. Pessoalmente, acredito que é preciso dominar um tema antes de propor-se a ensiná-lo. Em se tratando de um tema que envolve tanta MISTIFICAÇÃO, PRECONCEITO e má interpretação, confiar seu TEMPO para ouvir alguém cuja experiência é de poucos meses - ou poucas horas de prática/estudos, é a maior bobagem que se pode fazer. Em especial para aqueles que desejam aprender o ofício para exercê-lo com a intenção de gerar renda.
Em qualquer atividade que gere renda, cursos de qualificação têm sim um "preço" (ainda que nem sempre financeiro), e é preciso estar pronto para assumir o compromisso envolvido na troca de conhecimento que o levará à uma futura fonte de renda. Quanto vale o seu futuro? Quanto vale a sua carreira? Quanto vai lhe custar cada ERRO cometido por conta da má orientação recebida de um oportunista? Abra o olho.
E como identificar um bom professor / mentor em qualquer área de atuação? Falando de cartomancia, acredite: se o sujeito, há poucos meses estava nos grupos de facebook, publicamente pedindo "pitacos", "ajuda" e tirando "dúvidas", ele não se qualificou, milagrosamente e da noite para o dia, para ensinar a Arte pra alguém.
Há uma teoria bem difundida de que para se tornar "especialista" em algum tema, são necessárias 10 mil horas de prática. É, isso mesmo. Equivale a, por exemplo, quase 7 anos, praticando 6 horas por dia, de segunda a sexta. Ou 7 horas por semana durante um pouco mais de 20 anos.. Ou 3 anos com 12 horas de prática diária apaixonada...
Ok, você me diz, na cartomancia não será necessário ser um "especialista" para transmitir o básico pra alguém. Talvez não. Mas ensinar cartomancia, nos dias de hoje, vai muito além de simplesmente ensinar que o cavaleiro entrega uma mensagem ou o jardim fala de eventos sociais. Ensinar cartomancia requer um pouco mais de tato, um pouco mais de vivência...
E quando um aluno chega com uma situação em que um padrão ético se coloca em questão, ou seja lá quais forem as infinitas possibilidades de situações complicadas e difíceis por que passamos... Como dar a ele o necessário suporte se o professor jamais vivenciou algo sequer parecido, diante de sua pouca prática? Como ensinar ao aluno a trabalhar responsavelmente com pessoas?
Sem falar de questões técnicas propriamente ditas. É preciso um domínio mínimo da ferramenta que se utiliza (o "baralho Cigano" ou Petit Lenormand, por exemplo, ou qualquer outro sistema), e de seus métodos de composição e interpretação, bem como um mínimo de vivência prática para que se possa auxiliar um aprendiz em seus primeiros passos.
Muito se discute a respeito do conceito leigo de "dom", talento inato, ou ainda auxílio da espiritualidade ao praticante de cartomancia. Mas este é, ao meu ver, tema para ainda outra conversa.
Se você busca qualificação, procure, antes de tomar uma decisão, conhecer melhor o professor a quem vai seguir, especialmente no seu primeiro momento. Há muitos e muitos BONS, ou melhor, EXCELENTES professores no Brasil. Com diferentes abordagens, diferentes métodos de leitura e didática, diferentes caminhos. Cada um deles terá algo a ensinar, capaz de transformar sua vida. E transformação é o que geralmente procuramos, de fato, quando buscamos qualificação. Em um primeiro momento você vai escolher apenas um, sim. Depois, ao estar firme em suas bases, poderá explorar quantos mais houverem.
Escolha bem. Trata-se de você, de sua experiência, ou seja, da sua experimentação daquele tema, do seu próprio envolvimento e comprometimento com o "evoluir". Trate-se com a devida atenção e carinho, e não se permita cair nas "garras" de quem vê este "mercado" como um mar de oportunidades financeiras, ou deleite do próprio ego - ou ambas. Afinal, você vai dividir seu caminho com seu primeiro professor - e com todos os outros que escolher depois...
Pesquise. Pergunte. Questione. Experimente. E só depois, ao sentir seu coração bater mais forte, e saber que se trata de boa escolha. Vá em frente e mergulhe... Mas mergulhe de cabeça, porque vale a pena!
Sempre digo que a cartomancia transforma vidas: transforma a vida do cartomante, expectador de tantas histórias, de tantas emoções, decisões, celebrações, perdas, desafios.... E transforma a vida do consultante, que, diante de uma Mesa de cartas, pode tomar decisões capazes de atrair a mais plena felicidade (ou causar um tremendo estrago).
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| (foto de Thaísa Lixa) |
sexta-feira, 27 de março de 2015
terça-feira, 7 de outubro de 2014
O Baralho da Dona Maria Mulambo
Faz muito tempo que não vou a uma Gira. Naqueles anos em que me dediquei à Religião e participei daquelas rodas, o ponto da Dona Maria Mulambo fazia meu coração disparar, parecia que ia saltar pela boca... e em seguida meu corpo todo se acalmava, eu me sentia aquecida e amparada e os movimentos fluíam... Nunca vi uma Maria Mulambo incorporada em alguém. Mas a minha simpatia por ela existe desde que ouvi esse nome pela primeira vez. E o ponto que fazia meu coração acelerar ainda "toca" na minha cabeça de vez em quando, e lembrar dessa Senhora sempre me traz uma sensação de acolhimento, de tranquilidade...
Eu ainda estava me recuperando do ar que faltou, da pneumonia... e talvez naquele momento eu tenha achado que foi só a febre... eu ouvi "te dei o amor, te dei o carinho, te dei uma rosa, tirei os espinhos"... e a palpitação. Parecia um tambor no meu peito! Então meu marido entrou na sala dizendo que o correio tinha acabado de entregar aquele pacote: quando abri, as lindas cartas da Dona Maria Mulambo, que a querida Sonia Boechat Salema me enviou!
Ela (a Sonia) provavelmente não fazia a menor ideia que junto àquelas cartas, a energia da Dona Mulambo, vinha pra mim um sinal, que eu pedia há dias... (mas isso é outra história!).
Tenho manuseado as cartas por todos esses dias, enquanto me recuperava, e agora que estou de novo "zero bala" (como diziam na minha terra!), e posso fazer leituras, tenho me surpreendido com o quanto e como responde o Baralho da Dona Maria Mulambo! É preciso, acurado, certeiro, como eu imagino que a própria entidade o é - e o mais interessante, sinto o mesmo acolhimento, nas cartas, quando falam de algo pouco agradável - é como se dissessem do fel, com um amparo pra que o consulente não caia, e possa compreender o que acontece.
Essas cartas, sem dúvida, já fazem parte do meu dia a dia - e algo que me deixa super feliz é que elas são de boa qualidade! São perfeitas no tamanho, no tipo de papel (com uma laminação suave) e nas cores intensas que me ajudam a identificar as imagens com facilidade.
Se você desejar trabalhar também com estas cartas (super recomendo), pode encontrá-las no blog com o mesmo nome do baralho, clicando aqui.
Gratidão à Sonia, que soube, certamente, traduzir em cartas as mensagens de Dona Maria Mulambo, pra que as cartas nos falem essas mensagens, e a Moça esteja mais perto de cada um de nós, cumprindo sua Missão de amor, e nos auxiliando em nossa Missão de crescer.
Salve Dona Maria Mulambo!
Eu ainda estava me recuperando do ar que faltou, da pneumonia... e talvez naquele momento eu tenha achado que foi só a febre... eu ouvi "te dei o amor, te dei o carinho, te dei uma rosa, tirei os espinhos"... e a palpitação. Parecia um tambor no meu peito! Então meu marido entrou na sala dizendo que o correio tinha acabado de entregar aquele pacote: quando abri, as lindas cartas da Dona Maria Mulambo, que a querida Sonia Boechat Salema me enviou!
Ela (a Sonia) provavelmente não fazia a menor ideia que junto àquelas cartas, a energia da Dona Mulambo, vinha pra mim um sinal, que eu pedia há dias... (mas isso é outra história!).
Tenho manuseado as cartas por todos esses dias, enquanto me recuperava, e agora que estou de novo "zero bala" (como diziam na minha terra!), e posso fazer leituras, tenho me surpreendido com o quanto e como responde o Baralho da Dona Maria Mulambo! É preciso, acurado, certeiro, como eu imagino que a própria entidade o é - e o mais interessante, sinto o mesmo acolhimento, nas cartas, quando falam de algo pouco agradável - é como se dissessem do fel, com um amparo pra que o consulente não caia, e possa compreender o que acontece.
Essas cartas, sem dúvida, já fazem parte do meu dia a dia - e algo que me deixa super feliz é que elas são de boa qualidade! São perfeitas no tamanho, no tipo de papel (com uma laminação suave) e nas cores intensas que me ajudam a identificar as imagens com facilidade.
Se você desejar trabalhar também com estas cartas (super recomendo), pode encontrá-las no blog com o mesmo nome do baralho, clicando aqui.
Gratidão à Sonia, que soube, certamente, traduzir em cartas as mensagens de Dona Maria Mulambo, pra que as cartas nos falem essas mensagens, e a Moça esteja mais perto de cada um de nós, cumprindo sua Missão de amor, e nos auxiliando em nossa Missão de crescer.
Salve Dona Maria Mulambo!
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Os primeiros 10 minutos
Uma tia, cabeleireira, costuma dizer que a escolha de cabeleireiro e médico é algo muito pessoal, que você precisa entrar e "se apaixonar" logo de cara, do contrário não haverá proveito: a consulta não será boa, o cabelo vai ficar esquisito. E outro dia estava pensando nisso e concordando com ela, então acrescentei o cartomante ao ditado da minha tia. Porque se o consulente não se apaixonar pelo cartomante assim que começarem a conversar, não vai rolar. Tem que acontecer uma troca, algo que permita que o consulente sinta-se tão a vontade, que todos os seus segredos possam vir a tona. O consulente precisa confiar no cartomante: ou nada que ele disser lhe parecerá compreensível ou até mesmo, capaz de ser ou se tornar realidade. E se isso não acontecer nos primeiros minutos... acredite: não vai mais acontecer.
Ao contrário do que pensava minha tia, eu não acredito que essa identificação entre cliente e profissional seja regida pelo acaso ou por algo "além do que se possa compreender". Acredito que alguns fatores são determinantes pra que essa primeira impressão seja positiva - aliás, há estudos que mostram que a primeira impressão, sobre qualquer pessoa, é mesmo determinante, e não se modifica, seja lá o que for que aconteça depois. E o quê, afinal, pode ser essencial nos primeiros momentos de uma consulta com um cartomante? Há algum tipo de padrão que possa ser seguido que aumente a possibilidade de uma primeira impressão super positiva, e que possibilite ao consulente em potencial se tornar um "cliente fiel", logo nos primeiros minutos? E quando não há um contato "olho no olho" as premissas se modificam?
Bem, é claro que há fatores determinantes que estão relacionados com a postura e a conduta pessoal do cartomante, como o tipo de expressões e vocabulário que utiliza, a maneira como se comporta diante do consulente - presente ou remoto. Ter a consciência de que o cartomante é apenas "a mão que segura a lanterna que aponta o caminho" e não aquele que dita o caminho, é um excelente ponto de partida. E a partir deste, você já consegue imaginar que, se não iluminar a direção certa, logo nos primeiros minutos tudo o mais já se perde.
Ou seja, se, logo nos primeiros minutos, o cliente já escuta algumas palavras que validam sua intenção diante da consulta, fazendo com que se sinta confiante, acolhido e respeitado, as chances de que tudo corra muito bem são muito maiores. E há, com o Petit Lenormand, certas "técnicas" (ou dicas, "pulinhos de gato") que ajudam muito.
O Lenormand é um sistema tão genial (como costumo repetir todo o tempo!) que pode mostrar, em segundos, mensagens claras sobre como o consulente se sente, o que deseja, sobre o quê pensa e pra onde pensa ir logo em seguida, e não é preciso ser nenhum "expert" pra ler as entrelinhas das cartas e já detectar algumas mensagens que podem ser um divisor de águas durante os primeiros momentos de uma consulta. Se 10 minutos iniciais forem bem aproveitados diante das cartas do Lenormand, sem dúvida o bom "leitor de cartas" poderá detalhar mensagens, acontecimentos, pessoas, emoções e muito mais, durante horas - com precisão e certeza.
Essas técnicas, nem sempre divulgadas ou ensinadas (juntas, como um compilado de "primeiros minutos"), o que acho mais curioso é que são dicas que podem ser super úteis e esclarecedoras tanto pra quem já convive há tempos com as cartas, quanto pra quem está iniciando sua Jornada Lenormand (e já viu o básico): se está aprendendo, certamente terá um vislumbre do que vem adiante, e direcionará seus estudos de forma ainda mais produtiva.
Nos mais de 25 anos em que trabalho com as cartas, eu mudei de cidade muitas vezes (não foi só por conta da cartomancia ou dos meus vestidões que volta e meia alguém me chamava de "cigana"!!). Ao mudar, deixava bons amigos, familiares, e pessoas que haviam chegado até mim por causa das cartas. E como você sabe, até pouco tempo, não haviam esses planos telefônicos em que você conversa com alguém em outro estado ou país por horas e paga centavos - era caro, bem caro, um interurbano, e ninguém estava "afim" de pagar muito pra não ter respostas. Muitas vezes os telefonemas que recebia a noite, pra ler as cartas, depois do meu "trabalho formal", eram determinantes pra complementar minha renda, então eu precisava fazer algo bem feito - outras vezes a motivação era outra, como o carinho imenso por uma amiga do coração, ou o desejo de ajudar aquela prima atrapalhada, ou a responsabilidade de corresponder ao que disse quem indicou aquele desconhecido pra mim... seja como for, até hoje, mais de 80% das pessoas que atendo, estão bem longe de mim. Sem poder olhar sua expressão, ler a linguagem do olhar, são as cartas que me mostram tudo sobre aquelas pessoas. E o quanto mudou em suas vidas nos últimos 3 meses ou nas últimas 24 horas, desde a última consulta. E o que ela espera de mim hoje, que nem sempre é a mesma coisa que ontem ou na semana passada. E como está o filho doente, o namorado ausente ou aquele rapaz que nem sabe que ela existe, mas ela continua acreditando que é um amor predestinado... Ou quem sabe hoje ela me procurou pra saber se deve ou não fazer um ritual religioso de uma religião que não conheço - mas as cartas apontam que sim ou não. E por aí vou confiando nas cartas, e elas me mostram. E como me mostram o que devo dizer, meus clientes continuam voltando e confiando. Alguns há mais de 20 anos. O que seria desta cartomante, sem os primeiros 10 minutos daquelas consultas?
Pensando em tudo isso, reuni dicas, macetes, técnicas e métodos em um Workshop com mais de 3 horas de duração, onde vamos conversar principalmente sobre os primeiros 10 minutos da consulta ao Lenormand sem contato presencial (embora sirvam também para o presencial), e sobre como desenvolver conteúdo preciso e claro por mais 20, 30, ou 300 minutos. Como pretendo que a troca seja rica, e que possamos nos aprofundar em determinados tópicos, as vagas são mesmo limitadas para o encontro ao vivo. O encontro será gravado, e, em alguns dias, disponibilizado na área de alunos do Falando Lenormandês, e você poderá acessar as gravações por mais 30 dias, para ver e rever quantas vezes quiser.
Você pode fazer sua inscrição clique aqui, ou entre em www.falandolenormandes.com.br
Espero por você!
Que seu caminho tenha sempre muita Luz!
sábado, 30 de agosto de 2014
A Cruz e seus mistérios
Assim como o Calendário Gregoriano que utilizamos divide o tempo entre Antes do Cristo e Depois do Cristo, a carta 36, A Cruz, deixa pra trás o que está a sua esquerda e amplia o que vem à sua direita. O que está a esquerda não é cortado ou encerrado como acontece com a Foice (10) ou Caixão (08), mas diminuído, deixado em segundo plano - sua importância é reduzida em função do que vem depois. Se à esquerda da Cruz está, por exemplo, a viagem do Navio (03), e à sua direita o Sol (31), a viagem é encurtada, deixada de lado ou esquecida, e o Sol (31), intensificado, brilhará mais forte - ainda que, neste caso, queimando a pele de alguém: aquilo que descreve a Cruz, descreve algum sofrimento, alguma dor.
Se é uma pessoa que a Cruz traz do passado, de volta para a vida do Consulente, certamente não é alguém fácil de lidar - há aí algum desafio. E algumas vezes as Cruz identifica uma pessoa religiosa, pode ser um padre, uma sacerdotisa, ou apenas alguém que está profundamente envolvido com uma religião, não importa qual. Geralmente é uma questão de fé e não de religião, embora algumas vezes se refira ao fanatismo, em especial. Olhe as cartas em volta, como sempre.
Por falar em desafio, Paus é o naipe dos desafios, no Lenormand. Costumo dizer que as cartas não apontam um problema sem também mostrar uma solução, ou uma causa sem que mostrem o efeito, e da mesma maneira, quando mostram os desafios, na maioria das vezes trazem também as possíveis compensações, uma vez cumpridos.
A Cruz sempre traz algum teste ou provação, uma dificuldade a ser enfrentada - desde a difícil prova de seleção para um emprego ou curso concorrido, em que o consulente vai precisar "suar a camisa" se quiser êxito, até os desafiadores encontros com quem (ou o quê) o consulente imaginava ter deixado confinado ao passado, e lhe provoque as mais confusas emoções: aquelas de perder o sono.
E se será uma, algumas ou muitas noites de sono perdido, responde a distância entre a Cruz e o Consulente: perto dele, há de passar logo; quanto mais longe, mais demora até que se desfaça a dor.
Abrindo a Mesa Real, ela anuncia um período difícil, e como a última carta, em sua própria casa, encerra um ciclo. Abrindo uma linha de cartas (dentro ou fora da Mesa Real) ela pede atenção: olhe em volta e descubra onde estão os desafios. Logo acima do consulente, anuncia grande estresse, preocupações, um fardo - as cartas em voltam explicam sobre o que se refere. Abaixo do consulente mostra que, apesar de preocupado e desafiado, o consulente lida bem com as dificuldades que ela traz.
Aqui no Brasil esta carta é vista como a carta das vitórias e superações, e pra mim isso faz muito sentido, a partir do significado tradicional de dor e pesar, embora eu raramente perceba a carta como uma vitória. Se há noites de sono perdidas e aflição, em algum momento o ideal é que sejam superados, e que se possa lembrar daquele período como um divisor entre mais e menos evoluído ou consciente... mas este é um outro assunto, e fica pra outra vez!
Like the Gregorian calendar divides Christian era between AD and BC, the card 36 - The Cross - divides what is at its left and right sides, diminishing the left and increasing the card at its right side. What is at the left isn't cut or finished like it occurs with (10) Scythe or (08) Coffin, but decreased, leaving in the Background - its importance is reduced due to what comes after. If the left of the Cross is, for example, the Ship as a travel (03), and its right the Sun (31), the journey is shortened, set aside or forgotten, and the Sun (31) has its shine stronger intensified - though in this case, burning someone's skin: what describes the Cross, suffering and pain.
If the Cross brings back from past a person to the life of the Querent, it is certainly not someone easy to handle - there will be a challenge. And sometimes the Cross identifies a religious person, like a priest or priestess, someone who is deeply involved in religion, any type of religion or deep believing. In fact most of times it is about faith, not religion and can also go as deep as fanaticism. Look the cards around it as always, to have a better view of the situation.
Talking about challenge, Clubs are the cards that represents challenge in Lenormand. As I always say, I believe that the cards never indicate a problem without also showing a solution (cause without an effect) and likewise when showing challenges, most of the times, they will also bring a possible compensation once the challenge is accomplished.
The Cross will always bring a test or a trial, usually a difficulty to be faced - for instance a harsh job interview or a difficult and challenging exam in which the Querent will need to work very hard to succeed. Important to note that this could also be a challenging meeting with a person the Querent had confined to the past and it causes confusing emotions that will make one not able to sleep at night, lost on its own confusion. And it will be one, some or many nights of lost sleep, the distance between the Cross and the Querent gives the answer: near it, will pass soon; far away, further delay until undo pain.
Opening the Grand Tableau , it announces a difficult period, and as the last card in its own house, closes a cycle. Opening a line of cards (inside or outside the Grand Tableu) it asks for attention: look around and see where the challenges are. Just above the Querent announces great stress, worries, a burden - cards around it will help to explain better the situation. Below the Querent shows that despite trouble and challenge, the Querent will be able to overcome the difficulties.
In Brazil this card is seen as the card of wins and overruns, from the traditional meaning of pain and grief, although I rarely notice the card as a victory. If there are nights of lost sleep and distress, at some point the ideal is to be overcome, and if you can remember that period as a bridge between higher and lower or more conscious... Well, this would be another matter, and we should save it for another time!
Se é uma pessoa que a Cruz traz do passado, de volta para a vida do Consulente, certamente não é alguém fácil de lidar - há aí algum desafio. E algumas vezes as Cruz identifica uma pessoa religiosa, pode ser um padre, uma sacerdotisa, ou apenas alguém que está profundamente envolvido com uma religião, não importa qual. Geralmente é uma questão de fé e não de religião, embora algumas vezes se refira ao fanatismo, em especial. Olhe as cartas em volta, como sempre.
Por falar em desafio, Paus é o naipe dos desafios, no Lenormand. Costumo dizer que as cartas não apontam um problema sem também mostrar uma solução, ou uma causa sem que mostrem o efeito, e da mesma maneira, quando mostram os desafios, na maioria das vezes trazem também as possíveis compensações, uma vez cumpridos.
A Cruz sempre traz algum teste ou provação, uma dificuldade a ser enfrentada - desde a difícil prova de seleção para um emprego ou curso concorrido, em que o consulente vai precisar "suar a camisa" se quiser êxito, até os desafiadores encontros com quem (ou o quê) o consulente imaginava ter deixado confinado ao passado, e lhe provoque as mais confusas emoções: aquelas de perder o sono.
E se será uma, algumas ou muitas noites de sono perdido, responde a distância entre a Cruz e o Consulente: perto dele, há de passar logo; quanto mais longe, mais demora até que se desfaça a dor.
Abrindo a Mesa Real, ela anuncia um período difícil, e como a última carta, em sua própria casa, encerra um ciclo. Abrindo uma linha de cartas (dentro ou fora da Mesa Real) ela pede atenção: olhe em volta e descubra onde estão os desafios. Logo acima do consulente, anuncia grande estresse, preocupações, um fardo - as cartas em voltam explicam sobre o que se refere. Abaixo do consulente mostra que, apesar de preocupado e desafiado, o consulente lida bem com as dificuldades que ela traz.
Aqui no Brasil esta carta é vista como a carta das vitórias e superações, e pra mim isso faz muito sentido, a partir do significado tradicional de dor e pesar, embora eu raramente perceba a carta como uma vitória. Se há noites de sono perdidas e aflição, em algum momento o ideal é que sejam superados, e que se possa lembrar daquele período como um divisor entre mais e menos evoluído ou consciente... mas este é um outro assunto, e fica pra outra vez!
![]() |
| A Cruz do Esmeralda Lenormand - que curiosamente saiu com um erro de impressão, e, onde devia estar "agora, e não é bom", saiu "agora, bom", acompanhando o estilo Brasileiro! |
The Cross
Like the Gregorian calendar divides Christian era between AD and BC, the card 36 - The Cross - divides what is at its left and right sides, diminishing the left and increasing the card at its right side. What is at the left isn't cut or finished like it occurs with (10) Scythe or (08) Coffin, but decreased, leaving in the Background - its importance is reduced due to what comes after. If the left of the Cross is, for example, the Ship as a travel (03), and its right the Sun (31), the journey is shortened, set aside or forgotten, and the Sun (31) has its shine stronger intensified - though in this case, burning someone's skin: what describes the Cross, suffering and pain.
If the Cross brings back from past a person to the life of the Querent, it is certainly not someone easy to handle - there will be a challenge. And sometimes the Cross identifies a religious person, like a priest or priestess, someone who is deeply involved in religion, any type of religion or deep believing. In fact most of times it is about faith, not religion and can also go as deep as fanaticism. Look the cards around it as always, to have a better view of the situation.
Talking about challenge, Clubs are the cards that represents challenge in Lenormand. As I always say, I believe that the cards never indicate a problem without also showing a solution (cause without an effect) and likewise when showing challenges, most of the times, they will also bring a possible compensation once the challenge is accomplished.
The Cross will always bring a test or a trial, usually a difficulty to be faced - for instance a harsh job interview or a difficult and challenging exam in which the Querent will need to work very hard to succeed. Important to note that this could also be a challenging meeting with a person the Querent had confined to the past and it causes confusing emotions that will make one not able to sleep at night, lost on its own confusion. And it will be one, some or many nights of lost sleep, the distance between the Cross and the Querent gives the answer: near it, will pass soon; far away, further delay until undo pain.
Opening the Grand Tableau , it announces a difficult period, and as the last card in its own house, closes a cycle. Opening a line of cards (inside or outside the Grand Tableu) it asks for attention: look around and see where the challenges are. Just above the Querent announces great stress, worries, a burden - cards around it will help to explain better the situation. Below the Querent shows that despite trouble and challenge, the Querent will be able to overcome the difficulties.
In Brazil this card is seen as the card of wins and overruns, from the traditional meaning of pain and grief, although I rarely notice the card as a victory. If there are nights of lost sleep and distress, at some point the ideal is to be overcome, and if you can remember that period as a bridge between higher and lower or more conscious... Well, this would be another matter, and we should save it for another time!
sábado, 26 de julho de 2014
Cartas Invertidas
Entre muitas dúvidas comuns no Universo Petit Lenormand, uma das que mais me aparecem, se referem a significados de cartas invertidas.
É comum no Tarot e na Cartomancia tradicional, usarmos significados para cartas invertidas - as vezes completamente diferentes dos significados das cartas em sua posição vertical (em pé). O artigo cuja tradução apresento em seguida, é uma excelente explicação de porquê, no Petit Lenormand, não usamos as cartas invertidas. O autor nos leva a entender porque há esse uso em sistemas como o Etteilla ou o Besigué, super conhecidos e utilizados mundo afora, inclusive aqui no Brasil, assim como nos mostra que a cartomancia com baralhos alemães (que originou o Petit Lenormand) não utiliza significados para cartas invertidas, especialmente porque naqueles sistemas há outras maneiras de dinamizar os significados das cartas - dentre estas maneiras, o método de distância, ou o que originou o método de distância que hoje usamos com o Petit Lenormand.
É comum no Tarot e na Cartomancia tradicional, usarmos significados para cartas invertidas - as vezes completamente diferentes dos significados das cartas em sua posição vertical (em pé). O artigo cuja tradução apresento em seguida, é uma excelente explicação de porquê, no Petit Lenormand, não usamos as cartas invertidas. O autor nos leva a entender porque há esse uso em sistemas como o Etteilla ou o Besigué, super conhecidos e utilizados mundo afora, inclusive aqui no Brasil, assim como nos mostra que a cartomancia com baralhos alemães (que originou o Petit Lenormand) não utiliza significados para cartas invertidas, especialmente porque naqueles sistemas há outras maneiras de dinamizar os significados das cartas - dentre estas maneiras, o método de distância, ou o que originou o método de distância que hoje usamos com o Petit Lenormand.
Teoria Lenormand: Inversões.
Este post é uma tradução do original de Andy Boroveshengra que você pode encontrar aqui.
Andy Boroveshengra (Andy BC) é um dos mais respeitados professores de Lenormand Tradicional no mundo, e autor do livro "Lenormand Thirty-Six Cards: An Introduction to the petit-Lenormand" que você pode encontrar aqui .
Você usa inversões com o petit-Lenormand? Pessoalmente, eu nunca faço e eu não as defendo. Isso, no entanto, é apenas a minha opinião. Mas como as pessoas me perguntam por que, vou descrever aqui.
Quando as pessoas falam do "petit-Lenormand" há uma tendência para discutir o assunto como se falássemos de um baralho de cartas ou um conjunto de significados. Na realidade, o Petit-Lenormand é realmente um método de leitura de um conjunto reduzido de cartas de jogar, e não os significados das cartas ou um baralho et cetera. Como método distinto, significa que não pode ser classificado como um sub-tipo de piquet, ou Skat, ou o Sibilla.
Inversões são utilizadas em alguns métodos de cartomancia há bastante tempo; no entanto, elas aparecem muitos nos métodos de baralhos reduzidos* (*menor número de cartas). Há muito tempo, para economizar nos custos, os baralhos começaram a ser reduzidos. Baralhos de 32 cartas, como o usado no Bésigue e adaptado por Etteilla para o petit-Etteilla, eram populares para a leitura da sorte na França, Alemanha, Países Baixos, por causa do jogo. Piquet e Skat têm suas origens no Briscola Italiano (jogado com 40 cartas), que era um antepassado de um protótipo de Sibilla.
Ao contrário do que a maioria pensa sobre as inversões (isto é,"bloqueado", "oposto", "passado" etc), na redução dos baralhos de adivinhação as inversões têm significados diferentes, e muitas vezes não relacionados entre verticais (em pé) e invertidas. Da mesma forma, múltiplos, ou seja, 3 reis ou dois Ases, têm significados distintos para verticais e invertidas múltiplas, de modo que se você tiver quatro Reis e três forem invertidas você só tem um múltiplo de três Reis invertidos.
Por exemplo, a tabela a seguir apresenta significados para duas cartas em dois sistemas que eu uso para o
9 de ouros:
Para o 7 de Paus:
Os significados das cartas verticais e invertidas podem ser ainda mais modificados pela presença de outras cartas. Por exemplo, Espadas com o 9 de ouros na vertical significa grave perigo, a menos que seja o 8 de Espadas, quando é uma discussão com o potencial de violência.
Em Schafkopf ou Jass, as inversões eram predominantemente menos comuns, mas os significados de uma carta poderiam ser modificados ou alterados, por vezes completamente, ao estar rodeada por um naipe, ou ter ainda um outro significado por estar rodeado por dois naipes ou na proximidade de outra carta.
|
|
| 7 de bolotas. Schafkopf |
.
Por exemplo, no Schafkopf, o 9 de sinos (ouros) representa as finanças em geral, mas se tocada por várias folhas (espadas) o seu significado torna-se o trabalho em geral, e se com corações (copas), torna-se felicidade no lar - no entanto, se estiver perto do 9 de Copas, significa viagem, independente de estar ou não rodeado por um naipe. Todos esses significados se tornam maléficos, ou seja, desgosto no trabalho (com folhas) ou uma viagem perturbadora (perto do 9 de Copas) se o Rei ou Valete superior* de Copas (*carta equivalente às damas do padrão francês) estão cercados por bolotas, uma vez que estes representam o consulente se é homem ou mulher, respectivamente .
Cada método de cartomancia tem suas próprias regras e dentro delas, muitos meandros. Tentar encaixar o método Bésigue de reversões para Schafkopf seria como tentar misturar francês com alemão e tentar se comunicar na Argentina: a confusão iria prevalecer e a imprecisão seria o resultado.
O método do Petit-Lenormand dá instruções claras sobre a forma como as cartas são lidas, bem como os significados das cartas são modificados dependendo da proximidade ou distância do consulente ou de cartas-chave (Nuvens, anel). E é isso. Esses são os significados que você deve usar. Se voltarmos no tempo, não nenhuma menção à inversão de cartas dentro do sistema.
E de fato há, por aí, significados de cartas invertidas disponíveis, em alguns países ou nos conteúdos da Lo Scarabeo. Mas, com eles, deixa de ser o Petit-Lenormand. Posso apenas repetir algo que eu já disse uma e outra vez:
Há uma diferença entre a ler o petit-Lenormand e apenas usar um deck "petit-Lenormand".
Um pouco de informação histórica: as instruções do século 19 pertencem a uma metodologia de sub-tipo do que é visto dentro Jass ou Klaverjas, e até certo ponto Schafkopf, onde inversões são pouco comuns e em geral o método de distância distância predomina. No entanto, há muitas diferenças para que seja visto como "parte de" ou um "sub-tipo" do método - Se por exemplo, a carta Bouquet de Flores toca um determinado naipe, não se modifica o seu significado - portanto o Petit-Lenormand não segue o Skat ou Bésigue, etc.
Por isso,.o próprio Lenormand é classificado como uma metodologia singular.
Concluindo, é muito difícil que alguém possa incorporar inversões em suas leituras sem subverter as principais características que definem o Petit-Lenormand. Por esta razão, você deve se perguntar: ao adicionar inversões, está deixando de ler o Petit-Lenormand?
domingo, 13 de julho de 2014
Dicas Rápidas de Björn Meuris
Neste artigo, publicado originalmente no Lenormand Guild, dicas sobre a maneira de interpretar algumas cartas de pessoas, no Lenormand. O autor, Björn Meuris é, reconhecidamente, uma autoridade em Lenormand. Björn é Cartomante, pesquisador e professor de Lenormand na Bélgica e no site Cartomancy.net - O blog dele está em holandês, mas com ajuda do tradutor google você pode dar uma boa espiada.
O Cachorro e o Cavaleiro
Vamos olhar para as cartas do
Cachorro e do Cavaleiro como pessoas.
A Mulher, o Cavalheiro, e as
cartas de corte (Reis, Rainhas, e Valetes) todos podem representar pessoas no
baralho Lenormand, assim como outras poucas cartas.
É especialmente interessante
olhar para onde o Cavaleiro e o Cachorro caem em leituras que falam de questões
amorosas. Se um deles estiver perto da carta do Coração, pode ser que essa
pessoa aquece o seu coração. Elas também podem dar ênfase às outras cartas,
mostrando-lhe se um relacionamento é sério ou apenas uma aventura.
O Cachorro e o Cavaleiro são
personagens distintos e afetam o Coração de maneiras diferentes.
Geralmente este é o homem que faz
a cabeça de uma mulher; atraente, orgulhoso, bem vestido, corpo atlético que irradia
carisma. Pelo lado negativo, ele pode ser arrogante (baseado no cavalo), e
convencido.
Ele não tem as qualidades
suficientes do Cachorro.
Este é frequentemente o homem que
a mulher que tem o Cavaleiro como parceiro deseja. O Cachorro é leal e fiel,
como um cão de guarda. Na pior das hipóteses, o cachorro é chato e sem graça, carecendo
das qualidades do Cavaleiro.
_____________________________
Raposa + Carta de Pessoa + Urso
Lembre-se sempre que a leitura de
cartas para ter sucesso depende de contexto. O que significa que uma combinação
de cartas em uma situação pode ser muito diferente em outra, por exemplo, as
mesmas cartas podem significar coisas muito diferentes, dependendo se você está
lendo sobre a sua família ou sobre o seu trabalho.
Em leituras de amor, é importante
prestar atenção para a seguinte combinação:
Se a Raposa e o Urso estiverem
paralelamente ao lado da carta que representa uma pessoa, como mostrado acima,
você está lidando com uma pessoa complexa.
Mesmo que o Urso seja uma carta
de sorte, que lhe dê apoio e força, ele tem um lado ciumento e invejoso. Quando
a Raposa fala sobre o caráter de alguém, ela diz que muitas vezes ela age por
egoísmo, e apenas para seu próprio benefício. A Raposa também não está livre de
mascarar a verdade.
É impressionante para mim como
muitas vezes na prática, esta combinação indica uma pessoa ciumenta que esconde
seu ciúme muito bem. Normalmente, este é o tipo de ciúme que surge porque a
pessoa é tentada a si mesmo. O Urso o mantém bem protegido.
Como mencionado anteriormente,
isto irá caber dentro de um contexto. O que eu digo acima não é uma regra
rígida e rápida, mas um indicador que deve ser levado em conta e ser observado.
Olhe para as outras cartas para confirmar, ou pergunte para a pessoa que está
sentada na sua frente.
_____________________________
Rainha de Copas versus Rainha de
Paus
Quando eu comecei a ler as cartas
Lenormand, alguém me deu uma boa dica, na forma de uma história sobre a
Serpente e a Cegonha. É divertido, e extremamente preciso.
Note-se que, na Bélgica, a
geração mais velha lê quase que exclusivamente com apenas um tipo de baralho
Lenormand, o Carta Mundi Belga. É
também o deck mais utilizado no meu blog (. Se você usa um baralho diferente,
esta dica é a mesma, mas você pode ter que ajustá-la de acordo com o modo que a
Cegonha e a Serpente estão se olhando.
Você sabia que as cegonhas comem
cobras? Na natureza é assim.
Isso também faz sentido na
leitura com o Lenormand.
Se a pergunta é sobre o resultado
de uma situação, ou se esta é uma combinação na Mesa Real, Serpente + Cegonhas
significa que depois de um momento ruim (mentiras, stress, etc) há uma mudança a
caminho. A Cegonha traz sempre uma mudança nesta combinação, de forma positiva.
Observe a carta após a Cegonha para confirmar o que esta mudança lhe trará.
A Cegonha supera a Serpente, pelo
menos, se ela a tem em sua mira, porque a cobra não ousará olhar para ela. Na
natureza, a cegonha observa a serpente no olho. Boas vitórias sobre o mal.
Se a Serpente aparece em uma
situação onde a cegonha não está em alerta, a Serpente pode atacar com sua
natureza fria e calculista, para que a situação se torne sinistra e negativa.
A cegonha pode muito bem comer
cobras, mas a cobra é inteligente o suficiente para se esconder por trás da
cegonha. A Rainha de Paus vence a Rainha de Copas só se ela puder se aproximar
dela inesperadamente... A Serpente vai sempre atacar em momentos de descuido.
Dentro da metodologia descrita
acima, com a Cegonha precedendo a Serpente, as cartas podem querer dizer sobre
mudanças sinistras ou alguma reviravolta amarga.
_____________________________
A lógica simples e o seu uso prático...
...é simplesmente ler as
respostas que as cartas dão às perguntas que você faz. Essas respostas estão
sujeitas ao contexto que você cria com as perguntas que você faz.
O que é uma boa pergunta?
Como faço as cartas responderem?
São perguntas recorrentes que
você terá que lidar como cartomante:
·
'O meu parceiro está me traindo?'
·
'Será que o meu relacionamento vai dar errado
novamente?'
·
'Será que vou reprovar no teste porque eu estou
nervoso?'
·
'Será que vou perder meu emprego atual?
Todas estas perguntas são preocupações
reais. Mas se você perguntar da maneira que está indicado acima e depois tirar
as cartas, as chances são grandes de você não compreender a mensagem!
Por quê?
Pela simples razão de que você
vai se confundir sobre o que as cartas querem lhe dizer.
As perguntas listadas acima são
questões sobre o que tememos ou coisas que não queremos que aconteçam.
A resposta desejada é NÃO! Mas o
que as cartas devem mostrar?
Quais cartas irão diferenciar a
gravidade ou grau do desastre?
As cartas positivas e de boa
sorte confirmam que as coisas estão tudo bem, não é?
Quando as cartas negativas não
aparecem... É reconfortante, não é mesmo?
'O meu parceiro está me traindo?'
Nós sempre lemos as cartas
combinando-as umas com as outras, mas para ver o problema com questões
negativas claramente, vamos apenas olhar para uma carta neste momento:
A nossa resposta é o Caixão.
Um final, não e nunca, são
significados fundamentais para a carta do Caixão. O que é que a carta diz para
a nossa questão?
Não, ele não está traindo? Ele
nunca a traiu? Havia uma traição, mas agora é passado?
Isso não parece certo, é pesado,
para a carta negativa que significa terminações, doença, morte, ou melancolia
para outros contextos, é a resposta adequada aqui. É ilógico deixar espaços
para erros de interpretação.
Uma boa pergunta é a base da sua
cartomancia. Contexto e uma boa estrutura são de extrema importância para
extrair a informação tão precisa quanto possível das cartas.
Qual é o melhor modo de fazer tais perguntas?
Em primeiro lugar, você
reformula!
Não pergunte: 'O meu parceiro
está me traindo?' nesta questão, você pergunta para os seus medos, ou o que
você não espera que seja confirmado. É muito melhor integrar o seu desejo na questão.
'O meu parceiro é fiel a mim?',
'Será que o meu parceiro permanece fiel?', etc, já que é o que você deseja.
Esta frase lhe dá um contexto
muito diferente, porque agora as cartas positivas e de boa sorte podem
confirmar suas esperanças e desejos, enquanto as cartas negativas podem
expressar os seus medos.
* Tradução: Gerson H. Fachiano
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